Tempo de Jogo:
838 minutos
Resident Evil 2 chegou em 1998 e, mesmo hoje, continua disputando o topo entre os meus favoritos da franquia. E com certa folga sobre o primeiro jogo em vários aspectos.
Boa parte do que fazia o primeiro funcionar continua aqui: estrutura, ritmo, exploração, gerenciamento de recursos. Quem conseguiu vencer a barreira inicial de adaptação ao Resident Evil original provavelmente vai se sentir em casa em pouco tempo. E, para quem ainda apanha do estilo clássico da série, explorar Raccoon City acaba sendo uma experiência um tanto mais amigável do que sobreviver à Mansão Spencer.
Dessa vez, o grande palco é a icônica Delegacia de Raccoon City — a famosa RPD, para os chegados — e eu sinceramente só tenho elogios para o trabalho feito ali.
O level design acomoda muito bem o primeiro contato do jogador com os desafios do jogo. Para quem presta atenção no cenário e aceita bem a ideia de voltar para áreas já exploradas com frequência, os puzzles fluem de forma bastante natural.
Já os cenários posteriores parecem menos interessados em testar interpretação e mais em verificar o quanto você realmente entendeu o funcionamento do jogo. Ainda existem aqueles momentos clássicos em que a câmera ou um inimigo estrategicamente colocado pegam o jogador desprevenido, mas raramente vemos algo absurdo.
Se no primeiro Resident Evil entender exatamente o que precisava ser feito era uma habilidade valiosa, aqui eu diria que saber quando vale a pena eliminar seus obstáculos se torna ainda mais importante.
Gerenciar munição continua sendo essencial e as oportunidades para tomar dano aumentaram bastante. Ainda assim, o jogo constrói muito bem sua curva de aprendizado: mesmo na dificuldade mais alta, existe uma boa distribuição de recursos que recompensa planejamento sem transformar a progressão em algo frustrante ou mesmo impossível.
Outro ponto que gosto bastante é como Claire e Leon realmente passam sensações diferentes de jogo. A dificuldade entre eles aparece mais no grau de adaptação às armas e situações específicas do que em desequilíbrios artificiais. Independentemente da ordem escolhida, o desafio costuma ser justo — ainda que alguns inimigos claramente não tenham recebido o mesmo cuidado. E nesse meio entra o zapping system, que altera certos elementos entre campanhas e muda a disponibilidade de alguns recursos importantes, adicionando uma camada extra de tomada de decisão e oferecendo um pouquinho de variedade à experiência.
Pessoalmente, continuo sendo adepto de [b] Claire A / Leon B [/b], mas, depois de testar o caminho inverso, consigo entender perfeitamente o apelo — mesmo achando que sacrifica um pouco da canonicidade da história original e, sendo sincero, facilita bastante as coisas.
Narrativamente, Resident Evil 2 continua simples, mas competente. Ele conecta bem os acontecimentos do primeiro jogo e cria justificativas suficientes para colocar Leon, Claire e o elenco de apoio no centro do desastre. Claro, com quatro combinações narrativas possíveis, ainda existe um certo caos na forma como os eventos se encaixam — mas a comunidade meio que já decidiu qual rota funciona melhor dentro da série. Ada e Sherry deixam sua marca, e em especial a senhorita Ada [strike] Wait! [/strike] Wong mostra exatamente por que acabou se tornando uma personagem tão querida (e controversa).
Enquanto o primeiro Resident Evil respirava referências cinematográficas e carregava um charme involuntariamente exagerado, Resident Evil 2 parece um pouco mais contido. O que não significa ausência de momentos absurdos: existe um dos tapas mais fortes da história da série, Claire perguntando para uma criança assustada se ela “não confia nela” num tom bastante questionável e… as baratas.
As malditas baratas.
Resident Evil 2 é um clássico que passou por alguns períodos de preservação meio questionáveis, mas que felizmente hoje está muito mais acessível. E, graças aos fãs, ainda consegue oferecer uma experiência tão mágica quanto a memória de quem jogou pela primeira vez gosta de lembrar.
Sem dúvida, Resident Evil 2 continua sendo uma das melhores coisas que essa franquia já produziu — e eu fico feliz que ele exista.
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